sexta-feira, 16 de maio de 2008

Blade Runner pode ir para os Jogos de Pequim


O sul africano Oscar Pistorius é um atleta paraolímpico conhecido como "Blade Runner" e como "o homem mais rápido sem pernas (the fastest man on no legs)" por, obviamente, não ter as 2 pernas e usar próteses finas feitas de fibra de carbono.

A sua tentativa em participar dos Jogos Olímpicos de Pequim foi aprovada hoje pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) após ter sido rejeitada pelo Conselho da IAAF (Federação Internacional de Atletismo).

Em 14 de janeiro, o Conselho da IAAF decidiu vetar a participação de Pistorius em competições organizadas sob as regras da entidade, com base nos estudos de um cientista alemão, que considerou que o corredor dos 400 metros rasos obtém vantagens com suas próteses de fibra de carbono, no entanto, "o TAS considerou que a IAAF não mostrou quais as vantagens que essa prótese deu a Oscar Pistorius sobre os demais atletas que não usam esse aparelho".

Ao vencer a apelação que lhe dá direito de disputar os Jogos Olímpicos, caso consiga atingir o índice mínimo, Pistorius dá início a uma polêmica muito além da esportiva que passa pela ética, pela moral e pela justiça.

Teria Oscar vantagem sobre os demais concorrentes? Ou seja, caso ele tivesse as suas pernas, ele obteria resultados semelhantes, melhores ou piores?

E o pior de tudo: é possível responder essas perguntas?

Por outro lado, poderia essa decisão se revestir da atitude “vamos ser politicamente corretos” do tribunal, já que Pistorius nem possui índice olímpico. Aliás, não está nem perto! E valeria mais como: “poxa, que pena que ele não conseguiu, mas a gente deixou, num foi?”

Infelizmente, no mundo de hoje há tanta mesquinhez que ninguém pode dizer nada mais incisivo para não ser taxado de preconceituoso ou sei lá o quê mais.

Afinal, se alguém for contra sua participação junto de atletas que tenham o corpo sem amputações simplesmente pelo fato de que ele não tem como correr sem ajuda de acessórios adaptados ao seu corpo, corre o risco de ser colocado contra a parede por “não ter coração” ou até mesmo não aceitar o uso dos avanços tecnológicos disponíveis.

Para quem souber inglês, recomendo a leitura do artigo “An Amputee Sprinter: Is He Disabled or Too-Abled?”.

De qualquer forma, parabéns para o Oscar Pistorius por ter levantado uma discussão com tantas nuances e valores, que variam desde se ele tem vantagens com suas próteses até a própria filosofia de confraternização dos Jogos Olímpicos.


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